Medida educativa restringe o uso de faixas, bandeiras e instrumentos musicais em todos os estádios do país. Responsabilidade individual dos envolvidos está sendo apurada
Os integrantes das torcidas organizadas Galoucura e Esquadrão Atleticano, a partir da próxima rodada da série A do Campeonato Brasileiro, não poderão utilizar faixas, bandeiras, instrumentos musicais ou qualquer outro apetrecho que as identifique – a exceção é o uso de camisas dessas torcidas. A medida educativa, imposta pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) na última sexta-feira (2) foi aplicada em virtude dos últimos acontecimentos registrados no dia 27 de agosto, na ocasião do jogo entre Atlético e Cruzeiro, válido pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro, quando integrantes das referidas torcidas organizadas entraram em confronto nas proximidades do estádio Joaquim Henrique Nogueira (Arena do Jacaré).
Participaram da audiência o promotor de Justiça Edson Antenor Lima Paula, da 14ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Belo Horizonte; Hélcio Sá Bernardes, delegado de Polícia Civil titular da Delegacia Especializada de Atuação em Grandes Eventos; major Mauro Lúcio Alves, subcomandante do Batalhão de Polícia de Eventos; o procurador de Justiça Luiz Alberto de Rezende, da Federação Mineira de Futebol; Ana Paula Giberti, da Comissão de Monitoramento da Violência em Eventos Esportivos e Culturais (Comoveec); Roberto Augusto Pereira, presidente do Grêmio Cultural e Recreativo Torcida Organizada Galoucura; William Thomaz Palumbo, presidente do conselho da Galoucura; Moisés Muzzi e Adilson Venâncio de Oliveira, respectivamente presidente e diretor da Torcida Organizada Esquadrão Atleticano.
Segundo o promotor de Justiça Edson Antenor Lima Paula, “o Ministério Público está atento, bem como a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais [PMMG], a Polícia Civil e a Comoveec. Nós não iremos admitir quaisquer desdobramentos em decorrência dos fatos. Em último caso, poderá ser requerida ao Poder Judiciário medida de extinção de torcida organizada”, destaca o promotor de Justiça.
De acordo com o delegado Hélcio Sá Bernardes, “o procedimento investigatório foi instaurado, e a Polícia Civil está identificando cada um dos envolvidos naquele confronto, na medida de sua culpabilidade, para que as devidas medidas possam ser tomadas”.
Ainda segundo o delegado, “já foram ouvidas 15 pessoas, e outros envolvidos no confronto, à medida que forem surgindo os nomes, serão intimados. A conduta de cada um será apurada. Os envolvidos poderão responder pelo artigo 39 do Estatuto do Torcedor¹ e até por lesão corporal grave”, afirma.
Para o subcomandante do Batalhão de Polícia de Eventos, major Mauro Lúcio Alves, que presenciou o conflito entre os torcedores na Arena do Jacaré, o comportamento das torcidas organizadas melhorou nos últimos anos, porém alguns integrantes dessas associações demonstram uma conduta violenta. “Os líderes das torcidas organizadas, que respondem solidariamente pelos atos de seus integrantes, precisam tomar medidas mais enérgicas e eliminar esse tipo de torcedor que apresenta comportamento violento. O trabalho da PMMG, entre outros, é contribuir para que esses torcedores violentos sejam identificados e expulsos”, destaca.
Ainda de acordo com o major Alves, “a Polícia Militar e os demais órgãos empenhados no combate à violência nos estádios trabalham para que conflitos como o de Sete Lagoas não ocorram. Dessa forma, cidadão de bem poderá ir ao estádio torcer pelo seu time, com tranqüilidade”.
A medida, segundo o MPMG, deverá ser aplicada em todos os estádios do Brasil. Ficará a cargo da PMMG comunicar a medida às demais Polícias Militares dos Estados.




