Caos na saúde: Falta de médicos nos finais de semana revolta população em Pedro Leopoldo

Secretaria de saúde ainda não tem uma receita para combater esse “câncer”

Reportagem Pacheco de Souza
A administração das duas unidades de pronto atendimento de Pedro Leopoldo, Lagoa e Central, ainda é um desafio para o Prefeito da cidade, Marcelo Gonçalves (PDT). Os dois prédios já passaram por duas terceirizações dos serviços e recentemente o município voltou administrá-los, porém a falta de médicos nos finais de semana e feriados prolongados é um desafio para a secretaria de saúde local.
Quem precisa do atendimento médico e não encontra o profissional, critica as autoridades.  “No início do mês desmaiei por causa de uma forte dor na nuca e não consegui ambulância para me levar para o PA Central. Quando conseguiram me conduzir até lá, informaram que não tinha médico. Depois fui transferida para a Maternidade e só consegui atendimento em Matozinhos”, desabafou Adriane Pereira Araújo, moradora do São Geraldo.
Outro morador do mesmo bairro que também enfrenta dificuldades na área da saúde é o Sr. Edson Francisco Guimarães, 56 anos (foto). Ele precisa de um exame de ouvido que segundo ele custa R$ 70 reais, mais aguarda há três anos pela autorização. “O médico fez o pedido de exame do ouvido lado direito em julho de 2007 e desde essa época estou esperando autorizar. A justificativa é que não estão fazendo esse exame, a prioridade é das crianças. Tenho informações que o exame custa R$ 70 reais em Lagoa Santa”, contou o morador.
Geraldo Aguiar mora do bairro Maria Cândida, ele é outro cidadão revoltado com a falta de médico. “No sábado (23) fui socorrer um rapaz que havia sofrido uma queda e teve um corte acima dos olhos, no PA Central fui informado que não tinha médicos nas duas unidades da cidade. Pedro Leopoldo tem uma arrecadação muito boa e já está na hora de ter médicos de plantão para atender quem precisa”, disse.
Resposta do Governo Municipal
Ciente das dificuldades no setor, o Secretário Municipal de Saúde, Hélio Nery, acredita que a homologação do concurso público seja a saída para a solução do problema. “Estamos num período de transição onde a partir da próxima quinta-feira (28) vamos homologar o concurso público para contratar os clínicos e pediatras, dando prioridade para ao PA da Lagoa e assim, completar o quadro de funcionários daquela unidade”, observou.
Médicos efetivos terão forma de pagamento diferenciada, garante secretário de saúde. “Eles vão ter mais vantagens e a forma de pagamento será por plantão/hora, com isso, os médicos podem trabalhar mais horas e nós teremos mais facilidade para obter esse profissional trabalhando conosco”, lembrou.
Falta de médicos é um problema nacional, declarou o Secretário de Saúde. “Esse problema não é específico de Pedro Leopoldo, é de toda a rede de serviço de urgência e emergência do país inteiro, cresceu o serviço de saúde e ao mesmo tempo não tem mão de obra qualificada e capacitada. No pronto socorro onde eu trabalho às vezes temos que fechar a portaria porque falta profissional”, frisou.
O Secretário Dr. Helinho lembrou também que o médico ao trabalhar nos finais de semana e feriados terá um adicional de 20% como forma de atrair o profissional para esse tipo de plantão.