Caravana, em parceria com a CNBB, julga pedidos de anistia em Minas Gerais

No total, sete casos foram analisados em Betim

A Caravana da Anistia do Ministério da Justiça chegou a Minas Gerais, na cidade de Betim, região metropolitana de Belo Horizonte, neste sábado (09), às 16 horas. Sete casos serão julgados dentro da programação do Primeiro Encontro Brasileiro de Universitários Cristãos (EBRUC), uma iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para promover a integração de jovens evangelizadores dentro das universidades do país.
Serão analisados os pedidos de anistia de Maria de Fátima Nolasco, Hervê de Melo, Renato Santos Pereira, Mary de Souza Muniz, Herculano Pinto Filho, Maria da Silva Gonçalves e José Deolindo de Oliveira, estes dois últimos em caráter post mortem. Todos os casos são de jovens mineiros presos durante o Regime Militar.
Esta é a 44ª edição da Caravana. A solenidade de abertura contou com as presenças da vice-presidente da Comissão de Anistia, Sueli Bellato, do presidente do CNBB, Dom Geraldo Lyrio, do arcebispo de Sorocaba-SP e responsável pela Pastoral Universitária, Dom Eduardo Benes, e da também responsável pela Pastoral Universitária, Irmã Maria Eugênia Loris.
Igreja x Ditadura:
Na época em que os partidos políticos foram extintos, as organizações sociais proibidas e toda e qualquer manifestação era considerada subversiva, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e, principalmente, o Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) surgiram como atores importantes na redemocratização.
Durante a ditadura militar, representantes da Igreja Católica como Dom Helder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife em 1964, enfrentaram abertamente o regime. Dom Helder passou dez anos impedido de entrar no Brasil e sofreu boicote em todas as vezes que foi cogitado para o Prêmio Nobel da Paz.
“Vamos a Minas Gerais resgatar para os jovens estudantes participantes do encontro a história da democracia no país. A postura da Igreja Católica foi crucial neste processo de construção. Saímos de um cenário de tortura e perseguição até o ponto em que hoje o Estado vai pessoalmente pedir desculpas àqueles que colocaram em prática o direito legítimo de resistência”,  afirma a vice-presidente da Comissão, Sueli Bellato.
Resumo dos casos julgados em Betim-MG:
Herculano Pinto Filho | MG | Funcionário público e radialista. Sofreu perseguição no Rio de Janeiro. Ao voltar a Lavras, interior de Minas Gerais e sua cidade natal, foi preso e indiciado.
Hervê de Melo |MG | Membro da Ação Libertadora Nacional (ALN), foi preso durante o regime.
José Deolindo de Oliveira (post mortem) | MG | Operário. Foi indiciado e processado através da Lei de Segurança Nacional, sob a acusação de exercer atividades subversivas e de integrar o Grupo dos Onze. O anistiando foi absolvido, por falta de provas, pelo Superior Tribunal Militar em julho de 1970. 
Maria da Silva Gonçalves (post mortem) | MG | Sindicalista e também participante do Grupo dos Onze. Foi presa e obrigada a prestar declarações, respondendo a processo seis anos por conta da sua atuação sindical. Era diretora do Colégio Tiradentes na época e foi destituída pelo comando militar revolucionário desta função.
Maria de Fátima Nolasco |MG| Militante do PC do B, foi presa e torturada. Sua demissão teve motivação exclusivamente política comprovada.
Mary de Souza Muniz Pereira | MG | Professora. Casada com Renato Santos Pereira, professor contratado do Colégio Cenecista Domiciano Vieira, onde Mary também ensinava entre 1965 e 1969. Os dois entraram na clandestinidade por perseguição política.
Renato Santos Pereira | MG | Estudante e professor. Foi preso no 30° Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Caiu na clandestinidade no ano de 1969 por se sentir pressionado pelo desaparecimento de duas alunas do colégio onde trabalhava junto com a esposa.