O evento que propicia a meditação sobre
a Paixão de Jesus ao som dos 26 Prelúdios de Chopin vai começar às 20h30
Reportagem: Pacheco de Souza
O
projeto Via Sacra em Prelúdios tem por objetivo propiciar a meditação sobre a
Paixão de Jesus ao som dos 26 Prelúdios de Chopin. Além da música, o concerto
contará com a projeção de imagens acompanhadas de frases, pensamentos e
orações. O projeto é uma continuidade do Piano nas Igrejas, realizado pelo
pianista Marcelo Corrêa desde 2011 pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura em
cidades do interior de Minas Gerais. O Piano nas Igrejas, além de apresentar
importantes obras da música erudita, disponibilizou conhecimento acerca da
história e do funcionamento do piano de cauda, transportado à cada
apresentação. O evento vai começar às
20h30 e terá entrada franca.
Embora
misteriosos e permeados de alusões à morte, os 26 Prelúdios para piano de
Chopin não possuem nenhuma intenção religiosa. Sua associação com a Via Crucis
é abstrata e artística: “Eu indico; cabe ao ouvinte completar o quadro”,
explica-nos Chopin. Nestas pequenas obras-primas, comparadas à antigas ruínas,
encontram-se reflexões ora contritas, ora exaltadas, estados de alma
sonoramente captados. A leitura de meditações de José Maria Escrivá e Santa
Faustina associada às pinturas de Ticiano e Caravaggio acerca da Paixão de
Cristo ajudam a ilustrar essas miniaturas musicais e favorecem a atmosfera
meditativa.
O compositor e a obra
“Os
Prelúdios de Chopin são composições de uma ordem inteiramente separada, eles
não são meras introduções a outras peças, como o título indica”. Franz Liszt
Frédéric
Chopin (1810-1849) nasceu em Zelazowa-Wola, perto de Varsóvia, na Polônia.
Entre 1838 e 1839, visitou Maiorca – a maior das ilhas baleares ao sul da
Espanha – permanecendo na Cartuxa de Valldemosa, um antigo mosteiro herdado
pela romancista francesa George Sand. A ideia de que Chopin viria a curar-se da
tuberculose em Maiorca foi desastrosa, pois com a chegada das chuvas na região
sua saúde foi gravemente afetada. Em carta ao amigo Julien Fontana, contou
sobre suas impressões de Valldemosa: “Deves imaginar-me, entre as rochas e o
mar, em uma cela no interior de um imenso mosteiro abandonado. Minha cela tem a
forma de um grande ataúde com uma janelinha que dá para laranjeiras e ciprestes
no jardim. Na escrivaninha, Bach e os meus garranchos”. Foi nesta atmosfera que
Chopin trabalhou nos 24 Prelúdios Opus 28,
a
quinta-essência da criação musical romântica para piano. Escrever uma série de
prelúdios em todas as tonalidades lembra obviamente os Prelúdios e Fugas do
Cravo Bem-Temperado de J. S. Bach, que Chopin estudou com seu primeiro
professor. Chopin adotou um sistema de ordenação tonal diferente da proposta
por Bach, isso possibilitou que seus Préludes fossem interpretados em concerto
como uma obra única, não no sentido de uma só entidade, mas como uma
constelação de vinte e quatro microcosmos com o infinito em si. Além dos 24
Prelúdios Opus 28 serão tocados 2 Prelúdios Opus 45, publicados após a morte do
compositor.
O Intérprete
Marcelo
Corrêa é mestre em Performance de Piano pela UFMG, instituição pela qual
concluiu o Bacharelado em Piano com nota máxima na classe da professora Celina
Szrvinsk. Apresenta-se regularmente como recitalista e camerista. Desde 2003
leciona na Escola de Música da Universidade do Estado de Minas Gerais, onde
coordena, desde 2014, os cursos de Pós-Graduação Lato Sensu.
Entre
suas apresentações, sobressaem participações como solista de orquestra: em
2001, venceu o Concurso Jovens Solistas UFMG e foi solista do Concerto nº2 em
fá menor de Frédéric Chopin. Em 2002, venceu o 1º Grande Concurso Nacional
Eleazar de Carvalho, apresentando-se com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.
Como finalista do concurso, apresentou o Concerto nº2 de Chopin na renomada
Sala São Paulo com a Orquestra Sinfônica de São Bernardo do Campo. Em 2003,
executou o Concerto em lá menor de Edvard Grieg após vencer novamente o
Concurso Jovens Solistas UFMG. Em 2005, colaborou na Orquestra Sinfônica de
Minas Gerais substituindo, nos ensaios, o célebre pianista Nelson Freire. No
mesmo ano, com a mesma orquestra, executou a obra Horizontes do compositor
carioca Ronaldo Miranda. Em 2013, executou o Concerto nº1 em dó maior de Beethoven
com a Orquestra Sinfônica da UEMG. No mesmo ano, escreveu para o encarte dos
álbuns Brasilianische Kammermusik e Ronaldo Miranda: obras para teclado – neste
último executa a obra Variações Asorovarc para piano solo.
O
pianista Marcelo Corrêa já atuou sob a batuta de maestros como Aylton Escobar,
Marcelo Ramos, Emílio De César, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Holger Kolodziej,
Eduardo Ribeiro, Arnon Sávio e Paulo Rydlewski.
Em
2006, realizou tournée pela França com o espetáculo De carne e sonho prestigiado
por mais de trinta mil pessoas em dez cidades. Em 2011, idealizou e executou o
Projeto Piano nas Igrejas, viajando com piano de cauda em seis cidades do
interior de Minas Gerais realizando recitais-didáticos como parte da
comemoração dos 300 anos da invenção do piano e dos 200 anos do nascimento de
Franz Liszt.
Desde
2001 redige as notas de programa para a série Concertos Didáticos UFMG, para os
festivais Chopin e Schumann, Franz Liszt, Mozart, Viva os Mestres, Concertos
Teatro Bradesco, Concertos Didáticos FEA, Festival de Maio, entre outros. Desde
2012 atua também como redator da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.