Colunista comenta: Até onde vai a ignorância do ser humano?

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Por Gabriela Rodrigues,

Até onde vai a ignorância do ser humano!? Não estou me referindo a “ignorância” disseminada no senso comum tendo como dito popular, burro ou grosso, mais sim na sua etimológia que tem como uns dos diversos significados, o desconhecimento em determinados assuntos ou falta de interesse em adquirir o conhecimento, como conseqüência destes eventos, temos o comodismo entre outros. A partir daí, podemos deduzir que, somos nós o “ser humano” que destruímos nosso próprio habitat na construção de grandes centros urbanos, ou no desmatamento entre outros, visando o seu próprio bem-estar ou na visão capitalista, e por ventura, acabamos destruindo o habitat de várias espécies de animais importantíssimos para a constituição da nossa biodiversidade.

Bom! Me chamo Gabriela R. Silva, sou estudante de Ciências Biológicas na PUC/Minas e tenho como objetivo pessoal me especializar em serpentes, grupo o qual tem grandes importância econômica/médica , na sua própria ecologia e na cadeia alimentar de vários outros grupos  de espécies.

Alguém já parou para pensar na importância de uma serpente? Não, né!

Pois bem, as serpentes predam uma grande variedade de animais, inclusive predam outras serpentes peçonhentas, porém, predam principalmente animais considerados pragas para o ser humano, os ratos, sendo controladores naturais de suas populações. Vale ressaltar a sua importância médica ao produzir a partir do seu veneno, remédios tais como o Captopril para tratamento de hipertensão, ou o “remedinho”, que em estudos recente e divulgado no site G1 é um amenizador da doença Dengue, podendo diminuir as dores causadas pela mesma. Além disso, podemos citar também os soros antiofídicos produzidos pelas serpentes e os famosos cremes antirrugas. Portanto, com a falta desse conhecimento e pelo excesso de mitos existentes desses animais as pessoas acabam matando deliberadamente, e assim acabando com a nossa biodiversidade sem ao menos termos a curiosidade de sabermos a sua importância, resumindo por ignorância.

Portanto deixo aqui uma dica, para aqueles que sentem parte dessa biodiversidade, ao encontrar uma serpente, só tente capturá-la se ela estiver causando alguma ameaça física, tente afastá-la com um pedaço grande de madeira para fora da sua casa ou no ambiente que ela se encontra, ou apenas deixe-a, pois ela com certeza irá embora. E mais importante e sensata de todas as ações possíveis, ligue para um órgão específico (IBAMA, Policia do Meio Ambiente, Corpo de Bombeiro, Policia Militar), que eles saberão como manuseia-lás adequadamente e lhe dar o destino mais adequado. Caso você não se sinta à vontade de estar ligando para esses órgãos, você pode estar ligando para a Associação Pedroleopoldense de Defesa do Ambiente (Apda), tel:(031) 3662-4526, pelo site www.apdapl.com.br. onde pode estar fazendo a sua denúncia, ou também no setor da zoonoses da Prefeitura no tel:(31) 3662 3776, eles fazem a captura adequada das serpentes.

GABRIELA RODRIGUES 113 X 237Gabriela Rodrigues Silva

Estudante em Ciências Biológica PUC/Minas

Membro do corpo gestor da APDA – Associação Pedroleopoldense de Defesa do Ambiente

 

“O Causo do Ribeirão da Mata e Ribeirão das Neves”

Por Gefferson Silva / Fotos: Pacheco de Souza

Bom dia caros Pedroleopoldenses,

Peixes mortos no Ribeirão da Mata

Peixes mortos no Ribeirão da Mata

Me chamo Gefferson G.R. Silva. Sou nascido e criado em nossa digníssima cidade, da qual tenho tanto orgulho. Ambientalista de natureza, Biólogo em formação. E atualmente, membro do corpo gestor da APDA (Associação Pedroleopoldense de Defesa do Ambiente). Depois de tantas definições gostaria de compartilhar com vocês caros leitores e moradores de Pedro Leopoldo, minha grande angústia, aflição, agonia, indignação, decepção, desilusão, tristeza, em relação ao lento e constante martírio que aplicamos aos nossos gloriosos Ribeirão da Mata e Ribeirão das Neves.

Vegetação cobre a água e prejudica a respiração dos peixes com a falta do oxigênio

Vegetação cobre a água e prejudica a respiração dos peixes com a falta do oxigênio

Moro na Avenida Cauê, a 2 minutos do Ribeirão da Mata e a 5 minutos do encontro desses dois cursos d’água e por volta dos meus 3 anos de idade ia com meu avô quase todos os dias da semana pescar, onde tal ritual foi levado até meus 13 anos, época em que comecei a trabalhar em um carrinho de cachorro quente na cidade. Nesse intervalo de tempo pude acompanhar o imenso sofrimento pulsado por esses dois ribeirões através da frenética poluição em seus leitos: Incêndio criminoso nos fragmentos florestais que encontra suas nascentes que os alimenta; o descaso, comodismo e ingratidão da grande maioria da população local, abandono da gestão pública e outros. Sofrimento o qual foi refletido na diversidade de espécies e na abundância dos peixes que neles vivem; inúmeros eventos de mortalidade em massa de peixes e outros animais; mau cheiro; redução dos seus leitos; escurecimento de suas águas; supressão (corte) de suas matas de galeria, entre grandes outras variedades de sintomas.

Vista do Ribeirão da Mata próximo ao Terminal Rodoviário

Vista do Ribeirão da Mata próximo ao Terminal Rodoviário

Mas, muito mais decepcionante ainda, que fui forçado a digerir ao longo de minha infância, foi a descoberta em uma dessas pescarias, que ali, naqueles dois ribeirões, ter sido lar de uma variedade de peixes, aracnídeos, insetos, microorganismos, flora aquática e de galeria, aves, mamíferos, répteis, anfíbios, ecossistemas, enfim, de uma biodiversidade 5,10,15,100,1.000 vezes maior do que eu pude observar nesses 18 anos de convívio com os mesmos. E mais, fui obrigado a ser torturado pelo meu avô e seus amigos, pela minha mãe, e por alguns vizinhos e conhecidos, com suas lembranças de infância, contadas em varias conversas, de como era bom NADAR e BRINCAR nas águas desses cursos d’água, onde os mesmos possuíam águas cristalinas e potáveis.

Poluição da água

Poluição da água

Mas, mesmo com tantas decepções e desilusões ainda me resta esperança na sobrevivência desses ribeirões. Esperança que vem sendo reforçada quando vou para a Faculdade e passo pelo Ribeirão da Mata para pegar o ônibus, quando estou no meu quarto por volta das 18h e escuto a Saracura-três-potes (Aramides cajanea) cantando; ou quando vou para a sede da ONG e passo pela rua do asilo e por vezes vejo alguns animais resistindo a esta imensa devastação e destruição de seus habitats como o Garibaldi (Crysomus ruficapilus) aninhando em um emaranhado de cipó, o Periquito rei (Aratinga áurea) vocalizando nas copas das pouquíssimas árvores que ali restaram, o Biguá (Phalacrocorax brasiliensis) brigando com as águas sujas e oleosas em busca de um pescado, o Petrim (Synallaxis frontalis) em busca de alguns insetos que resistem ao caos que persiste por ali, o João-graveto (Phacelodomus rufifrons) cantando em um galho seco para marcar seu pequeno território, a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), a Lontra (Lontra longicaudis) e o Furão (Galictis vittata) espécies as quais faz anos que não as vejo nessas águas, entre outros; mas o que me dá mais esperança é quando acesso alguns grupos ativos da cidade como o Movimento KDÊ e vejo gente preocupada em busca de solução para acontecimentos periódicos como a súbita morte em massa de peixes e cágados nesses cursos d’água.

Por esses e outros motivos venho pedir a ajuda de todos para cobrarmos a devida providência dos representantes públicos e não só a instalação de uma perícia quando ocorrer eventuais fenômenos antrópicos como o recente caso de mortalidade em massa de peixes e cágados, que por sua vez, não foi o primeiro e sim, mais um rotineiro evento. Precisamos mesmo é da retirada dos esgotos que vem sendo despejados de maneira colossal nesses ribeirões, de uma avaliação real do estado do rio e seu entorno, da recuperação da suas matas ciliares nos locais em que o mesmo seja possível, do monitoramento constante da qualidade de suas águas, de projetos de reintrodução e no mínimo da conservação da fauna e flora locais, de projetos e eventos que envolva Educação Ambiental para que a população passe a vê-los com outros olhos e pare com essa cultura horrorosa de pensar que os mesmos são lixões a céu aberto, e por esse motivo possam jogar sacolas plásticas com lixos domésticos, sofás, camas, carcaças de animais domésticos, celulares, “aviões”, “tanques de guerra”, “foguetes espaciais”, entre outros.

Nós membros e gestores da APDA pedimos sua ajuda como cidadãos dessa maravilhosa cidade e preocupados com a saúde da mesma, para denunciar, afiliar em grupos que buscam soluções para tais problemas, participar de ações a favor dos nossos rios. Assim você não só ajudará a promover a melhoria da estética da cidade e sim garantirá o direito dos outros seres vivos que compartilham conosco esses cursos d’água e são obrigados a engolir diariamente toda nossa porcariada; preservar também as memórias de muitos moradores locais que tiveram o privilégio de fazer desses cursos d’água, locais como espaço de recreação e obtenção de alimento, e, quem sabe, também propiciar a essa e futuras gerações momentos os quais vale a pena ser lembrados nas margens desses importantes cursos d’ água de nossa cidade.

Grande Abraço!

GEFFERSON GUILHERME 150 x 220Gefferson Guilherme

Ambientalista de natureza, Biólogo em formação

Membro do corpo gestor da APDA – Associação Pedroleopoldense de Defesa do Ambiente