Projeto Social ensina alunos a fazerem receitas que evitam o desperdício de alimentos

29 de setembro é Dia Internacional da Consciencialização sobre Perdas e Desperdício Alimentar. O Instituto Capim Santo leva formação de excelência em gastronomia, incluindo práticas sustentáveis com itens que normalmente são descartados, como cascas e talos

Reportagem e foto: Pacheco de Souza

De acordo com os dados do Movimento social Pacto Contra a Fome, cerca de 55 milhões de alimentos são desperdiçadas por ano no Brasil. O país também está entre os dez que mais desperdiçam, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Contrapondo esses índices, há 21 milhões de pessoas que não têm o que comer todos os dias, 70,3 milhões enfrentam insegurança alimentar e 10 milhões são consideradas desnutridas, de acordo com o relatório publicado pela ONU, em julho deste ano.

Nesse cenário, o Instituto Capim Santo utiliza a gastronomia social e sustentável como ferramenta para minimizar o desperdício de alimentos e a fome no país por meio do de um projeto chamado Cozinha do Amanhã, que promove a formação profissional na área de gastronomia para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Em um estabelecimento visitado pelo Mix Notícias, em Guanhães/MG, mais de 30 quilos de alimentos são desperdiçados por clientes todos os meses.

Nas aulas, essas pessoas passam por uma formação de excelência em gastronomia, com práticas que podem ser replicadas em restaurantes e demais empreendimentos voltados para a cozinha. Todo esse conhecimento somado à prática sustentável, que considera a identidade brasileira na gastronomia, o valor nutricional dos alimentos, o diálogo com pequenos produtores, e principalmente, o desperdício de alimentos. Esses novos cozinheiros aprendem, entre outros pratos, a fazer receitas saudáveis e criativas com itens que normalmente são descartados, como por exemplo, um ragu de casca de banana, antepasto de casca de coração de bananeira e manjar com cascas de limão.

“Já existem estudos que mostram que se todo o alimento que é desperdiçado fosse reaproveitado, a situação da fome não seria tão alarmante no Brasil e em diversos países do mundo. No Instituto Capim Santo, utilizamos alimentos que seriam desperdiçados e realizamos receitas criativas e saborosas com alto valor nutricional”, conta Lúccio Oliveira, Presidente da Organização.

Além da conscientização quanto ao desperdício, o Instituto Capim Santo também atua diretamente no combate a fome por meio do projeto Pare com a Fome, que já distribuiu mais de 600 mil marmitas, desde 2020, em Trancoso, Itacaré, Rio de Janeiro e São Paulo.  Os próprios alunos fazem as refeições que são distribuídas para famílias em situação de vulnerabilidade. No cardápio, opções como: arroz, farofa de beterraba e feijão branco com linguiça.

Informe Publicitário da Capepe

Sobre o Instituto Capim Santo

Criada em 2010 pela chef Morena Leite, o Instituto Capim Santo é uma organização não governamental que promove a democratização da gastronomia como ferramenta para gerar empoderamento e mobilidade social para pessoas em situação de vulnerabilidade. Com unidades nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Trancoso e Itacaré, com dois grandes projetos, Cozinha do Amanhã e Amor que Nutre, a organização já formou mais de 1.800 alunos na área da gastronomia social e sustentável, que considera a identidade brasileira na gastronomia, o valor nutricional dos alimentos, o combate ao desperdício, o diálogo com pequenos produtores, entre outros pilares. Também atua em rede com ONGs parcerias para mitigar a fome, onde já distribuiu mais de 400 mil marmitas. 

“A nossa fome é de contribuir para que todos os seres humanos tenham uma oportunidade para se desenvolver como cidadãos inteiros e independentes”.Para saber mais, acesse www.institutocapimsanto.org.br